Quando da estada de Vianna de Carvalho (1874-1926) em Fortaleza, de março de 1910 a novembro de 1911, O Centro Espírita Cearense, instituição por ele fundada em 19 de junho de 1910, passou a desenvolver intenso serviço no campo da propaganda doutrinária (promoção de estudos, conferências, criação do jornal “O Lábaro”, etc.) e no da promoção social. Na tentativa de prestar apoio à instituição, ante os ataques do clero, algumas famílias beneficiadas pelo trabalho do Tribuno de Icó, publicavam notas de agradecimento nos jornais, como a que abaixo extraímos do periódico “A República”, de 31 de maio de 1911.

“Curada pelo Espiritismo

Nós abaixo assinados, vimos com o maior prazer fazer pública toda a gratidão que devemos ao Centro Espírita Cearense pela cura efetuada em suas sessões na pessoa de D. Maria Vieira de Queiroz, cuja família somos.

Dita senhora havia oito anos que sofria de forte neurastenia, com acentuadas manias, um dos aspectos em que se manifestava a alienação mental.

Durante todo esse tempo recorremos a diversos médicos, esgotamos debalde todos os nossos magros recursos, em preparações farmacêuticas.

Quando desenganados, enfim, nos dirigimos ao Centro Espírita. Obtivemos dentro de dois ou três meses toda a saúde que embalde procuramos durante oito anos para a referida doente. Julgue quem nos lê qual a alegria sentida por nós, quando novamente vimos em toda a sua plenitude de saúde pessoa tão cara.

Sentimos mesmo quanto é incompleta esta marca de gratidão, que é o único meio que nos ocorre, e, bem se sabe, tudo está na intenção.

Reafirmamos, pois, nossa gratidão ao benemérito Centro, e desejamos profundamente que continue a irradiar as felicidades para todos aqueles que como nós dele se aproximar.

Fortaleza, 30 de maio de 1911.

Maria V. de Queiroz, Vicente Vieira de Queiroz, Joanna Ramos da Silva, Anna Ramos de Queiroz, Amélia Ramos de Queiroz, Laudelina de Queiroz, João Ramos de Queiroz, José Ramos de Queiroz, Lídia Ramos de Queiroz, Maria Ramos Galvão, Argentino de Paulo Galvão, Ernesina da Silva, Ignácio Gadelha e Francisco Ramos de Queiroz”.

Por uma dessas “coincidências” do destino, recentemente, em conversa fraterna com uma vizinha, a Professora Fátima Maria Queiroz Freire sobre assuntos relacionados ao Espiritismo, ela nos revelou que, no começo do século passado, aconteceu uma espantosa cura com sua bisavó Maria Vieira de Queiroz, curiosamente a senhora mencionada na notícia do periódico cearense de 1911.

Colhendo maiores informações, Fátima disse que sua bisavó passara 8 anos internada num hospital psiquiátrico, tida como louca, embora afirmasse que não era louca e assim agia porque uma voz a mandava fazer determinadas coisas. Certo dia, Maria Vieira teve um sonho no qual lhe foi revelado que a pessoa que iria lhe devolver a saúde mental havia chegado à cidade e assinalou o endereço, Rua 24 de Maio, nº 26. Ela contou o sonho a seu filho, Francisco Ramos de Queiroz (avô de Fátima), que foi verificar o endereço. Ele não somente encontrou a casa como também o rapaz, o então 1º Tenente do Exército Manoel Vianna de Carvalho, que estava exatamente como ela havia descrito no sonho: “sentado numa rede, com uma mola em cima de um tamborete”.

Vianna, que durante a sua permanência em Fortaleza morara, de fato, no endereço acima citado, teria dito a Francisco Ramos, segundo nos relatou a Professora Fátima: – “Já que ‘eles’ mandaram sua mãe até mim, tenho o dever de atendê-los”. Vianna solicitou então a Francisco Ramos de Queiroz que levasse sua genitora ao Centro\Espírita Cearense (nesse ano a instituição funcionava num prédio alugado da Rua Barão do Rio Branco) acompanhada de dois homens honestos e de sua confiança. Segundo Fátima, já no primeiro encontro Maria Vieira ficou plenamente recuperada. A família em reconhecimento publicou a nota que transcrevemos.

A Professora Fátima Maria Queiroz Freire, atendeu-nos gentilmente, mostrando um velho álbum de família de onde pinçamos o retrato de seu avô que ilustra este artigo, em sua residência na Rua Teresa Cristina, 280, na mesma casa onde residiu sua bisavó, em 1911.

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